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Imigração e segurança são palavras de ordem da extrema-direita sobre protestos na Europa
Vários países europeus têm sido palco, nas últimas semanas, de manifestações contra o aumento do custo de vida e, como no caso de Portugal, pelo direito à habitação. Com os governos sob pressão, a extrema-direita tem aproveitado os protestos e os confrontos para a própria narrativa sobre a imigração e a insegurança.
Para os líderes dos partidos nacionalistas e conservadores, os distúrbios nas manifestações em muitas cidades europeias são consequência do fracasso dos governos liberais e socialistas, além das políticas das fronteiras abertas.
De França, Itália e até da Albânia chegam imagens de violência, de destruição na via pública e de confrontos com a polícia. E, como analisa o jornal britânico The Guardian, os líderes de partidos de extrema-direita argumentam que os distúrbios são o reflexo de uma crise de autoridades do Estados e das falhas das políticas governamentais.
A poucos meses de chamar os eleitores às urnas, o presidente do partido União Nacional considerou que o Governo francês está “impotente”. E Marine Le Pen, candidata às Presidenciais pelo mesmo partido, tem afirmado que o Estado está “em colapso” e a perder o “controlo de tudo”, num contexto de “caos migratório, financeiro e de segurança”.
Na Alemanha não houve grandes protestos, mas o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) alimentou o receio de que os distúrbios pudessem atravessar a fronteira. A co-líder, Alice Weidel, afirmou que os “excessos violentos” em França eram um “aviso para a Alemanha”.
“A perigosa combinação de imigração em massa e extremismo de esquerda ameaça levar a condições semelhantes a uma guerra civil também aqui”, declarou Weidel através das redes sociais. “Só haverá uma mudança na política de imigração com o AfD!”
Entre as críticas dos partidos nacionalistas é comum a ligação da violência e da instabilidade social à imigração, mesmo quando as manifestações são promovidas por questões como o custo de vida, a habitação, os salários ou o estado dos serviços públicos. No entanto, nem sempre se opõem aos motivos dos protestos e aproveitam para se apresentar como soluções legítimas para o descontentamento social.
"Eles não estão a defender o direito à habitação, nem a pedir emprego, estão ao serviço de Pedro Sánchez", disse o líder do partido, Santiago Abascal. "São as milícias de Sánchez."
O Vox também tentou associar a questão da habitação à imigração. Numa mensagem publicada nas redes sociais no mês passado, o partido sugeriu Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou os protestos gigantescos, teria tido uma casa se fosse imigrante do norte da África.
Em Portugal, o discurso segue muitas vezes padrões semelhantes aos observados noutros países europeus. Em debates sobre manifestações relacionadas com imigração, habitação, segurança ou protestos de rua, dirigentes de partidos mais à direita tendem a enfatizar temas como ordem pública, criminalidade, controlo das fronteiras e crítica às elites políticas.
O Chega tem apontado também o dedo à imigração para justificar a crise habitacional do país, que André Ventura afirmou ser principalmente consequência de um “fluxo descontrolado de pessoas vindas do estrangeiro”.
É necessário sublinhar que as manifestações são diferentes e, em muitos casos, são totalmente pacíficas. São, contudo, apresentadas no debate político consoantes a estratégia de cada partido e da narrativa que pretende reforçar junto do seu eleitorado.
De França, Itália e até da Albânia chegam imagens de violência, de destruição na via pública e de confrontos com a polícia. E, como analisa o jornal britânico The Guardian, os líderes de partidos de extrema-direita argumentam que os distúrbios são o reflexo de uma crise de autoridades do Estados e das falhas das políticas governamentais.
A poucos meses de chamar os eleitores às urnas, o presidente do partido União Nacional considerou que o Governo francês está “impotente”. E Marine Le Pen, candidata às Presidenciais pelo mesmo partido, tem afirmado que o Estado está “em colapso” e a perder o “controlo de tudo”, num contexto de “caos migratório, financeiro e de segurança”.
Na Alemanha não houve grandes protestos, mas o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) alimentou o receio de que os distúrbios pudessem atravessar a fronteira. A co-líder, Alice Weidel, afirmou que os “excessos violentos” em França eram um “aviso para a Alemanha”.
“A perigosa combinação de imigração em massa e extremismo de esquerda ameaça levar a condições semelhantes a uma guerra civil também aqui”, declarou Weidel através das redes sociais. “Só haverá uma mudança na política de imigração com o AfD!”
Entre as críticas dos partidos nacionalistas é comum a ligação da violência e da instabilidade social à imigração, mesmo quando as manifestações são promovidas por questões como o custo de vida, a habitação, os salários ou o estado dos serviços públicos. No entanto, nem sempre se opõem aos motivos dos protestos e aproveitam para se apresentar como soluções legítimas para o descontentamento social.
Em Espanha, onde a crise na habitação gerou enormes protestos e um acampamento em Madrid, o primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, decidiu convocar eleições antecipadas para o próximo mês, enquanto o partido de extrema-direita Vox procurou condenar os manifestantes.
O Vox também tentou associar a questão da habitação à imigração. Numa mensagem publicada nas redes sociais no mês passado, o partido sugeriu Maricarmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou os protestos gigantescos, teria tido uma casa se fosse imigrante do norte da África.
Em Portugal, o discurso segue muitas vezes padrões semelhantes aos observados noutros países europeus. Em debates sobre manifestações relacionadas com imigração, habitação, segurança ou protestos de rua, dirigentes de partidos mais à direita tendem a enfatizar temas como ordem pública, criminalidade, controlo das fronteiras e crítica às elites políticas.
O Chega tem apontado também o dedo à imigração para justificar a crise habitacional do país, que André Ventura afirmou ser principalmente consequência de um “fluxo descontrolado de pessoas vindas do estrangeiro”.
É necessário sublinhar que as manifestações são diferentes e, em muitos casos, são totalmente pacíficas. São, contudo, apresentadas no debate político consoantes a estratégia de cada partido e da narrativa que pretende reforçar junto do seu eleitorado.